Como começar a vender um produto em escala?
Ter um produto que funciona bem em pequena quantidade é um ótimo começo. Mas, quando surgem oportunidades de vender para mais clientes, abastecer outros pontos de venda ou entrar em mercados maiores, aparece uma nova questão: esse produto está realmente preparado para ser comercializado em escala?
Aumentar as vendas não significa apenas produzir uma quantidade maior. Para crescer de forma estruturada, é preciso garantir que o produto consiga ser reproduzido com qualidade, tenha uma validade compatível com sua distribuição, esteja adequado às exigências de comercialização e apresente corretamente suas informações ao consumidor.
Por isso, antes de ampliar a produção, alguns pontos precisam estar bem definidos.
Comece garantindo que sua formulação seja reproduzível!
Uma receita que funciona quando preparada em pequenas quantidades nem sempre apresenta exatamente o mesmo resultado quando o volume aumenta.
Mudanças na quantidade produzida podem interferir no tempo de mistura, aquecimento, resfriamento e até na distribuição dos ingredientes. Como consequência, características como textura, sabor, aparência, viscosidade e estabilidade podem sofrer alterações.
Além disso, muitas produções começam de maneira artesanal, com medidas aproximadas e etapas baseadas na experiência de quem fabrica. O famoso “colocar até dar o ponto” pode funcionar quando uma única pessoa é responsável pela produção, mas se torna um problema quando a empresa precisa produzir centenas de unidades mantendo sempre o mesmo padrão.
Por isso, uma das primeiras etapas para vender em escala é ter uma formulação bem definida e padronizada.
Dependendo do produto, também pode ser necessário realizar uma otimização da formulação, modificando concentrações, ingredientes ou condições de processamento para melhorar características como estabilidade, textura, conservação e desempenho do produto.
O objetivo é simples: fazer com que o cliente tenha a mesma experiência independentemente do lote que comprar.
Teste antes de aumentar drasticamente a produção!
Passar diretamente de uma produção pequena para uma produção muito maior pode trazer problemas que antes não eram perceptíveis.
Imagine um produto fabricado normalmente em lotes de 5 kg. Se a empresa decidir passar imediatamente para 100 kg, pode descobrir que o equipamento não mistura os ingredientes da mesma maneira, que o resfriamento demora muito mais ou que o produto final apresenta uma consistência diferente.
Uma alternativa mais segura é realizar o aumento de escala gradualmente.
Se atualmente são produzidas 100 unidades, por exemplo, pode-se testar inicialmente 300, depois 500 e continuar aumentando conforme os resultados.
Esses testes permitem avaliar se o processo continua funcionando e identificar possíveis ajustes antes de investir em uma expansão maior.
Conheça a validade real do seu produto!
Quando a produção e a venda acontecem no mesmo local, muitas vezes o produto chega rapidamente ao consumidor. Porém, vender em escala normalmente significa aumentar também o caminho entre a fabricação e o consumo.
O produto pode precisar permanecer em estoque, ser transportado, chegar a distribuidores ou outros pontos de venda e ainda ficar exposto durante determinado período antes de ser comprado.
Nesse cenário, conhecer a validade real do produto é fundamental.
Uma Análise de Tempo de Prateleira permite acompanhar o comportamento do produto durante o armazenamento e determinar por quanto tempo ele mantém condições adequadas de qualidade e segurança.
Dependendo do produto, podem ser observadas características como aparência, odor, sabor, textura, pH, estabilidade e qualidade microbiológica.
Essa informação é importante não apenas para definir uma data de validade. Ela influencia diretamente o planejamento de estoque, a frequência de produção, a distância de distribuição e até os mercados que poderão ser atendidos.
Um produto que dura cinco dias, por exemplo, exige uma estratégia logística completamente diferente de um produto que permanece adequado durante três meses.
E se a validade não for suficiente?
Descobrir que o produto não dura o tempo necessário não significa necessariamente que o projeto de expansão precisa ser abandonado.
Nesse caso, podem ser avaliadas estratégias de conservação e alterações na formulação ou no processo.
Dependendo do tipo de produto, fatores como ingredientes utilizados, condições de processamento, temperatura de armazenamento e embalagem podem influenciar diretamente sua estabilidade.
O objetivo é encontrar uma alternativa que aumente a vida útil sem comprometer as características que tornam aquele produto atrativo para o consumidor.
É justamente por isso que formulação e validade devem ser avaliadas em conjunto durante um projeto de expansão.
Prepare o produto para as exigências do mercado!
Produzir mais também pode significar acessar novos canais de venda. Um produto que antes era comercializado diretamente ao consumidor pode passar a ser vendido em lojas, mercados, distribuidores ou outras regiões.
E, com isso, surgem novas exigências.
Dependendo da categoria e da forma de comercialização, podem existir requisitos relacionados à composição, produção, rotulagem, regularização ou registro do produto perante os órgãos competentes.
Por isso, é importante identificar quais exigências se aplicam ao produto antes de colocá-lo no mercado em maior escala.
Deixar essa etapa para o final pode gerar retrabalho. Imagine desenvolver a embalagem, imprimir centenas de rótulos e só depois descobrir que faltam informações obrigatórias ou que algum item precisa ser alterado.
Planejar a regularização desde o início torna o processo de entrada no mercado muito mais organizado.
A tabela nutricional também precisa entrar no planejamento!
No caso de alimentos, outro ponto importante para a comercialização é a Tabela Nutricional.
Ela apresenta ao consumidor informações sobre a composição nutricional do produto e deve seguir os critérios estabelecidos pela legislação aplicável.
Por isso, não basta simplesmente copiar informações de produtos semelhantes ou utilizar valores aproximados.
Além da tabela nutricional, o rótulo pode precisar apresentar outras informações obrigatórias, que variam de acordo com as características e a categoria do alimento.
Quando essa parte é planejada junto ao desenvolvimento do produto, torna-se muito mais fácil organizar a embalagem e evitar alterações posteriores.
Não esqueça dos custos da expansão!
Um produto tecnicamente pronto para crescer também precisa ser financeiramente viável.
Aumentar a escala pode reduzir alguns custos pela compra de matérias-primas em maiores quantidades, mas também pode trazer novas despesas com embalagem, armazenamento, equipamentos, transporte, mão de obra e controle de qualidade.
Também é importante considerar as perdas do processo.
Se são utilizados 20 kg de matéria-prima, mas o rendimento final é de apenas 16 kg de produto, essa diferença precisa aparecer no custo. Caso contrário, a empresa pode acreditar que possui uma margem de lucro maior do que realmente tem.
Ter uma formulação padronizada também ajuda nesse ponto, porque permite conhecer melhor o consumo de cada ingrediente e o rendimento esperado de cada lote.
A embalagem precisa acompanhar essa mudança!
Em uma operação maior, a embalagem deixa de ser apenas uma apresentação do produto e passa a ter um papel importante na sua conservação e distribuição.
Dependendo das características do produto, fatores como umidade, oxigênio, luz, temperatura e contato com o ambiente podem afetar sua qualidade ao longo do tempo.
Além disso, uma embalagem pensada para vendas individuais pode não ser a mais adequada quando dezenas ou centenas de unidades começam a ser transportadas.
Por isso, embalagem, validade e condições de armazenamento precisam ser analisadas em conjunto. Afinal, não adianta definir uma boa formulação se o produto perde suas características antes de chegar ao consumidor.
Então, quando um produto está pronto para vender em escala?
Não existe uma quantidade específica que transforme uma produção em “produção em escala”. O mais importante é que o crescimento seja sustentável.
Antes de avançar, a empresa precisa saber se consegue reproduzir o produto com o mesmo padrão, produzir volumes maiores, manter sua qualidade durante o período necessário para venda e atender às exigências relacionadas à comercialização.
Quanto mais cedo esses pontos forem avaliados, menor a chance de encontrar problemas justamente quando as vendas começarem a crescer.
Afinal, vender mais é uma ótima oportunidade, desde que o produto esteja preparado para acompanhar esse crescimento.
E se a demanda pelo seu produto dobrasse amanhã, ele estaria realmente preparado para chegar a todos esses novos consumidores?
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